“Todo confronto, por mais inocente que pareça, pode acabar em hospitalização, invalidez, encarceramento ou morte. Então, não comece ou entre em um confronto a não ser que você esteja disposto a ir até as últimas consequências.” Luciano da Silveira

 

DUMA

 

Luciano da Silveira é proprietário da Clinifit Fitness Studio e fundador do sistema de treinamento de defesa pessoal D.U.M.A. - Defesa Urbana Marcial Aplicada e faixa preta 4° Dan de Hapkido com mais de 35 anos de experiência em várias Artes Marciais. È instrutor certificado em Defesa Pessoal para polícia e já treinou policiais e militares nos Estados Unidos. Luciano também ministra cursos anti-estupro, anti-bullying, contra ataques homofóbicos e de intolêrancia em geral.

 

Como surgiu o D.U.M.A.?
Na verdade DUMA é apenas um nome que uso para promover minha versão de um sistema de defesa pessoal criado por mim que já venho utilizando há muitos anos. Como também sou formado em marketing, pensei neste nome para promover meu sistema e meu negócio. Mas já posso dizer com toda a certeza que o D.U.M.A. não é mais uma arte milagrosa que ensina alunos a atirar raios pelas pontas dos dedos ou vencer qualquer confronto sem esforço.

Conte um pouco mais sobre o D.U.M.A.
O D.U.M.A., ou Defesa Urbana Marcial Aplicada, é um sistema de treinamento de defesa pessoal que enfatiza o uso de técnicas de várias artes marciais combinadas com estratégias de treinamento para que o aluno seja capaz de evitar, fugir ou reagir (quando possível) instintiva e eficazmente a tentativas de vários tipos de crimes - como lesão corporal, assaltos, seqüestro, estupro e homicídio - utilizando todo e qualquer meio disponível para garantir sua sobrevivência. O D.U.M.A. ensina tanto técnicas de luta corpo a corpo desarmada como também a utilização de armas industriais ou improvisadas.

Poderíamos classificar o D.U.M.A. como um estilo de arte marcial?
Não, pois o D.U.M.A. é um sistema de treinamento que pode utilizar técnicas de qualquer arte marcial desde que elas realmente funcionem dentro de um contexto maior, onde a única e exclusiva meta é combater e sobreviver a agressões ilegais a seres humanos cumpridores da lei (nossos clientes). E sempre seguindo as diretrizes das leis de legítima defesa no Código Penal brasileiro. O aluno é preparado para entender desde o que acontece antes de um combate até como agir durante a agressão e, caso não consiga evitar a violência, como exercer o seu direito primordial e legal de se defender de uma injusta agressão. Os alunos também são instruídos sobre como lidar com as autoridades policiais para garantir que os seus direitos sejam protegidos. Dito isto, é claro que sou amante das artes marciais, pois treino-as há mais de três décadas e respeito todas as artes e todos os profissionais sérios.

E de onde surgiu o nome D.U.M.A.?
Duma é na verdade um anjo, o Anjo do Silêncio, e que sempre foi o meu favorito. Diz a mística que ele, depois de se desapontar com a "política" entre deus e o diabo, começou a agir por conta própria administrando as punições aos seres humanos merecedores, tanto a serviço de deus quanto a serviço do diabo. Na minha vida, a paixão pela defesa pessoal sempre existiu. E eu sempre procurei aprender como a mente criminosa funciona, muitas vezes me infiltrando no meio dos criminosos, que muitas vezes são chamados de "demônios". Ao mesmo tempo, outra grande paixão para mim é treinar membros da Policia e das Forças Armadas, nossos verdadeiros anjos. Então, assim como o Duma místico, gosto de transitar entre anjos de demônios para aprimorar a minha arte de sobrevivência. Por coincidência, a palavra Duma comportou perfeitamente a sigla Defesa Urbana Marcial Aplicada. D.U.M.A. é defesa e é ambiente urbano. É marcial, ou seja, existe para que aprendamos a lutar na guerra civil silenciosa que acredito estarmos vivendo. E finalmente, apesar de ser marcial, o D.U.M.A. não é uma arte, um sistema hierárquico ou uma demonstração de uma cultura. Ela é aplicada, o que para mim quer dizer uma coisa só: precisa funcionar na hora da verdade.

Você é o autor do filme americano “The Moment of Truth: How to Physically, Mentally and Legally Survive a Street Fight” (A Hora da Verdade: Como sobreviver a uma briga de rua física, mental e legalmente). Como surgiu esse projeto?
Eu estava envolvido com treinamentos de defesa pessoal que incluíam civis, militares e policiais nos Estados Unidos e aprendi que a justiça muitas vezes não é justa, e sim uma máquina com recursos ilimitados para lutar indefinitivamente, de forma que fica simplesmente impossível para o cidadão comum resistir. Como a maioria das artes marciais enfatizava demais o lado físico do confronto, muitas vezes passando uma noção violenta das coisas para seus praticantes, decidi cobrir o lado jurídico, psicológico e fisiológico de situações reais de violência que acontecem fora dos ringues e das regras honradas das artes marciais. Também cobri a assunto de bullying quando isto ainda não era moda. Por essa razão, o filme virou referencia entre aficionados de defesa pessoal e estrategistas em geral.

The Moment of Truth with Luciano da Silveira (Trailer)

Você trabalha também como guarda-costas de várias celebridades internacionais. Como isso funciona?
Primeiramente, me considero um guia e tradutor que trabalha com cultura e não com segurança. Para a polícia, defender a população é um dever. Para nós, cidadãos comuns, agir na legítima defesa de terceiros é um direito. Para mim, defender os outros é algo profundo, maior do que eu, e que não consigo evitar. Através dos anos consegui provar isso no meio artístico, e é por esta razão que estas pessoas me convocam quando vêm ao Brasil. Já fui um estrangeiro no país deles, entendo como a mente deles funciona e sei fazer com que eles se sintam bem no Brasil. Vejo diariamente pessoas covardes, omissas e coniventes que não levantam um dedo para proteger ninguém. Eu faço isso, e vou fazer de qualquer modo. Então, fazer isto e ser bem pago para trabalhar como guia e tradutor de celebridades é melhor ainda.

Simple Plan

D.U.M.A. Close Personal Protection & Tour Protection in Brazil (Vídeo)

 

Você escreveu um artigo para o site Mix Brasil convocando os gays a se defenderem dos ataques homofóbicos. Como surgiu esta idéia?
Eu acho que o brasileiro, de forma geral, precisa abandonar esta cultura de vítima profissional. É inaceitável que um grupo de poucos homens entrem numa parada com centenas de milhares de gays, sendo que muitos deles são lutadores e sarados, matem um membro da comunidade deles e saiam ilesos. Escrevi o artigo para os gays, mas ele serve para todo brasileiro. O meu lema é: reaja, Brasil!

Gay Friendly

Personal Trainer Hetero Intima Gays a se Defenderem de Agressões (Mix Brasil)

 

E como funciona o treinamento de D.U.M.A.?
O treinamento é particular e individualizado de acordo com o biotipo, o estado psicológico e a necessidade de cada pessoa, pois podemos estar falando de civis, militares, policiais e seguranças. Mas o foco é sempre a defesa pessoal que pode ser posta em prática por aquela pessoa em questão. Mas, para quem gosta de dar nomes aos estilos, posso dizer que usamos golpes traumáticos de estilos como boxe, muay thai e caratê Kyokushin, quedas de judô e wrestling, imobilizações, torções e projeções de Hapkido, desarmes e ataques com objetos cortantes, perfurantes e contundentes de vários estilos. Ensinamos também cabeçadas, beliscões, puxões de cabelo e até mordidas. Coisas que vêm da minha vivência prática, das vezes que lidei em primeira pessoa com violências de todos os tipos. A regra é simples: se você se encontra numa briga justa, algo já deu errado. As artes marciais esportivas são honradas, justas e possuem regras. O D.U.M.A. não é limitado a nada e está em constante desenvolvimento para atender única e exclusivamente à sobrevivência dos seus praticantes.

Você trabalha também a parte do condicionamento físico?
Sim, mas esta parte é opcional. Eu também sou personal trainer e tenho um studio de personal training que pode funcionar junto ou separado do treinamento D.U.M.A. Pessoalmente, acredito que o condicionamento físico é parte integral do arsenal do guerreiro moderno e influencia na sua capacidade de sobrevivência na hora de enfrentar alguém que lhe ataca ou de simplesmente fugir desta pessoa. Além do mais, sou um estudioso das classes guerreiras, que eram consideradas parte da elite. Elas sempre foram as mais desenvolvidas física, mental e culturalmente. Não há como negar que o que eu ensino atrai a chamada elite. Mas que apesar de serem bem sucedidas profissional e financeiramente, na sua grande maioria estas pessoas se encontram em situações físicas deploráveis. Portanto, gosto de adicionar exercícios para força, explosão, resistência muscular e condicionamento aeróbico nos treinos.

Você menciona no seu filme a expressão condicionamento de estresse adrenal. O que é isto?
O ser humano, durante a descarga de adrenalina que acontece em situações de perigo, pode apresentar certas reações involuntárias. E entre elas estão a perda de habilidades motoras finas, a perda da visão periférica e a exclusão auditiva, entre outras coisas. Utilizando várias técnicas de treinamento, tentamos causar estas reações no aluno e só o deixamos seguir em frente quando o comportamento dele condiz com o que queremos. Se não, paramos e recomeçamos o processo. Baseamos esta preparação no treinamento de cães de guarda e no estudo de vítimas que sofrem de Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Eu mesmo, pelas obras do destino, já fui diagnosticado e tratado de Transtorno de Estresse Pós-Traumático por ter lidado com situações de alto risco. Uma vítima de estupro pode, mesmo anos depois do ataque, simplesmente desabar emocionalmente ao sentir o mesmo perfume que o estuprador usou quando a violentou. Ela terá a mesma descarga de adrenalina que teve na época. A neurociência prova que eventos que ocorrem durante uma descarga de adrenalina são armazenados em outros bancos de memória no cérebro que não seguem o pensamento consciente. O que fazemos nesse tipo de treinamento é implantar o “trauma” e a reação no cérebro do praticante, mas dentro de um ambiente controlado. Assim, o aluno, inconscientemente e sem hesitar, vai poder agir eficiente e violentamente se for atacado no futuro.

Você gostaria de falar algo mais para finalizar?
O mundo sempre foi violento, mas o povo brasileiro nunca foi tão covarde. Fomos desarmados e aceitamos isso caladamente. Os bandidos estão cada vez mais corajosos e sádicos, sabendo que não enfrentarão qualquer reação, porque o poder e a mídia nos treinam para sermos vítimas profissionais. Eu não ensino nenhum golpe milagroso, muito menos sistemas que funcionem em todas as situações. Tanto é assim que, neste ano, quase fui executado em dois arrastões a restaurantes em São Paulo. Não estou aqui para ensinar as pessoas a serem super heróis, mas quero ajudá-los a resgatar os guerreiros e guerreiras que eram parte integrante dos seus ancestrais. Dos seis criminosos que quase me mataram, dois estão presos e um foi morto pelos heróis da policia em um tiroteio. Fiquei abismado ao ver que, além de mim e da minha esposa, nenhuma vítima foi reconhecer os bandidos, nem compareceu ao julgamento. Como eu já disse, não pretendo ensinar milagres que não existem. Mas vou ensinar a atitude correta para o combate quando ele é absolutamente necessário. Isso não é garantia de vitória, mas é a garantia de que você já vai ter começado a mais difícil das jornadas: vencer a si mesmo, indo de encontro aos seus medos. Você pode perder, pode morrer. Mas, mesmo caso isso aconteça, você terá o olhar de um guerreiro.  

sun tzu

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